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Sabe aquele amigo que sempre “esquece” a carteira quando chega a conta? Ele promete que vai te pagar, jura que vai cumprir, mas depois da quinta vez, você pensa: “ehhhh... talvez eu devesse parar de emprestar dinheiro pra essa pessoa”.
Isso é basicamente o comércio de desvalorização, só que o amigo esquecido é o governo e, em vez de US$ 20 por uma pizza, estamos falando de trilhões de dólares.
Se você acompanhou os mercados financeiros nos últimos dois anos, provavelmente percebeu que o ouro atingiu níveis recordes, o bitcoin se valorizou e os investidores ficaram obcecados por “ativos tangíveis”.
Enquanto isso, a dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 38,5 trilhões como se tivesse um lugar importante para chegar.
Coincidência? Não.
Bem-vindo ao comércio de desvalorização— uma das estratégias mais antigas do livro, agora com uma reformulação do século XXI. Não é tão complicado quanto parece, mas entendê-lo pode salvar seu portfólio quando os governos começarem a brincar com a impressora de dinheiro.
O que é o comércio de desvalorização?
Quando os investidores acham que a promessa do governo está ficando menos confiável, eles correm para comprar ativos que os governos não podem imprimir mais.
O conceito de“desvalorização”remonta à Roma Antiga, onde os imperadores literalmente desvalorizavam as moedas — misturando metais baratos com ouro e prata para criar mais moeda. A mesma moeda, mas com menos valor real para cada moeda.
Os governos modernos não mais desvalorizam as moedas. Eles fazem algo infinitamente menos emocionante: expandem a oferta monetária digitalmente.
Mais dólares perseguindo a mesma quantidade de bens e serviços significa que cada dólar compra menos. Seus R$ 100 hoje podem ter apenas o poder de compra de R$ 95 no ano que vem, ou R$ 90 no ano seguinte.
Quando os investidores percebem que isso está acontecendo — ou prestes a acontecer —,eles fogem para ativos que não podem ser diluídos.
Assim, em tempos de incerteza, os investidores tendem a se desfazer de ativos garantidos por promessas do governo e comprar coisas com oferta fixa e verificável.
Os ativos respaldados por promessas do governo podem incluir moedas fiduciárias (dólares, euros, ienes), títulos do governo (Treasuries, gilts), contas de poupança ou qualquer investimento denominado em moeda de papel.
Enquanto isso, ativos populares com oferta finita podem incluir commodities como ouro e prata, bitcoin e certas criptomoedas, imóveis e até mesmo obras de arte ou itens colecionáveis.
Comércio de desvalorização em ação
Digamos que você tenha US$ 10.000 em dinheiro e US$ 10.000 em títulos do Tesouro. Você está ganhando 4% de juros sobre os títulos, o que parece ótimo até você perceber:
- A inflação está em 3-4%
- O governo acaba de anunciar outro pacote de gastos de US$ 27 bilhões
- O Federal Reserve está comprando títulos com dinheiro recém-criado
- Seu “retorno real” (retorno após a inflação) é basicamente zero — ou negativo. Você está se mantendo à tona enquanto seu poder de compra lentamente se afoga.
Então você vende esses títulos e moeda e compra:
- Ouro: alta de 60% a 65% em 2025, com o aumento dos temores de inflação
- Bitcoin: que alguns veem como “ouro digital” com um limite máximo de 21 milhões de moedas
- Commodities: como cobre ou petróleo, que se beneficiam da inflação
- Ativos reais: imóveis em mercados estáveis com oferta limitada
Você não está necessariamente ficando mais rico. Você está apenas preservando sua riqueza enquanto os ativos em papel perdem poder de compra.
Quando você deve considerar negociações de desvalorização?
A negociação de desvalorização nem sempre está “ativa”. Os traders tendem a ficar atentos a gatilhos específicos:
Aumento vertiginoso dos índices de dívida em relação ao PIB
Quando a dívida de um país ultrapassa sua produção econômica, ele enfrenta uma escolha difícil: entrar em default, cortar gastos drasticamente ou inflar a dívida, diminuindo o valor do dinheiro. Adivinha qual opção os governos geralmente escolhem?
A relação dívida/PIB dos EUA atingiu 123% em 2024. A do Japão é superior a 260%. Esses números não são brincadeira e podem deixar os traders nervosos.
Rendimentos reais negativos
Lembre-se de que rendimento real = taxa de juros – inflação.
Se os títulos do Tesouro de 10 anos pagam 4,5%, mas a inflação está em 4%, seu retorno real é de apenas 0,5%. Se a inflação subir para 5%, você estará perdendo dinheiro em termos reais enquanto assume o risco de crédito.
Os rendimentos reais negativos são combustível para os ativos tangíveis. Por que emprestar dinheiro ao governo com prejuízo quando você pode ter ouro ou bitcoin?
“Medidas extraordinárias” do Banco Central
Quando os bancos centrais começam a comprar grandes quantidades de dívida pública (flexibilização quantitativa), eles estão criando dinheiro novo para fazer isso. O balanço do Federal Reserve explodiu de US$ 4 trilhões para US$ 9 trilhões durante a pandemia.
Mais dólares em circulação = cada dólar vale menos. Os traders percebem isso e correm para a saída.
Crises monetárias ou perda de confiança
Às vezes, não é gradual — é repentino. Quando a libra esterlina despencou em 2022 após cortes de impostos sem financiamento, ou quando a lira turca entrou em colapso em meio à instabilidade política, o comércio de desvalorização passou da teoria para o modo de sobrevivência da noite para o dia.
Proteja-se contra a tempestade macroeconômica. Não fique apenas observando os índices de dívida em relação ao PIB subirem — aja. A Gemini é a primeira bolsa nativa de criptomoedas a oferecer mercados de previsão regulamentados pela CFTC, permitindo que você negocie contratos de eventos sobre os catalisadores macroeconômicos que impulsionam o comércio de desvalorização. Segura, em conformidade e construída para o próximo ciclo. Saiba mais sobre a Gemini hoje mesmo.
Lições importantes para traders
Trata-se de preservação, não de especulação. O comércio de desvalorização não é um esquema para enriquecimento rápido. É um seguro de riqueza. Quando o ouro passa de US$ 2.000 para US$ 2.700, você não está necessariamente ganhando dinheiro — você apenas não está perdendo poder de compra enquanto as moedas fiduciárias afundam.
O timing é importante, mas é complicado. Você não quer ser precoce (mantendo ouro com rendimento zero durante um período de forte crescimento econômico) ou tardio (comprando ouro depois que ele já subiu 50%). Fique atento aos gatilhos acima.
A diversificação ainda se aplica. Mesmo dentro dos ativos tangíveis, distribua suas apostas. O ouro tem um histórico de 5.000 anos. O bitcoin tem um histórico de 15 anos. Imóveis são tangíveis, mas ilíquidos. Misture de acordo. Isso não é novidade — é antigo. Todas as grandes desvalorizações monetárias da história (Alemanha de Weimar, Zimbábue, Venezuela) seguiram o mesmo padrão: as pessoas fugiram para ativos tangíveis. Os detalhes mudam, mas o princípio não.
Não lute contra o banco central — até que seja necessário. Quando a política monetária é restritiva e as moedas estão fortes, o comércio de desvalorização tem um desempenho inferior. Mas quando as impressoras começam a funcionar e os temores de inflação aumentam, é hora de reconsiderar sua exposição.
Conclusão
O comércio de desvalorização é basicamente um voto de desconfiança nas promessas no papel. Quando os governos devem muito, imprimem muito ou administram mal suas economias, os investidores se protegem mudando para ativos com escassez verificável.
No momento, com a dívida global em níveis recordes, temores persistentes de inflação e incerteza geopolítica, esse comércio está recebendo atenção renovada. Seja o ouro testando novos máximos, o Bitcoin quebrando recordes ou as commodities em alta, a mensagem é clara: os investidores estão se protegendo contra a possibilidade de que a moeda de hoje não seja a reserva de valor de amanhã.
Fique de olho nos números da dívida, monitore os rendimentos reais e preste atenção nos balanços dos bancos centrais. Quando esses sinais de alerta acenderem, o comércio de desvalorização pode ser seu salva-vidas em uma tempestade financeira.
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