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Quando se trata de descrever a recente queda do mercado de criptomoedas, “banho de sangue” parece ser uma forma suave de dizer.

O Bitcoin caiu de cerca de US$ 94.000 para atingir brevemente US$ 76.000 em apenas alguns dias, registrando uma queda de quase US$ 10.000 em 24 horas em um determinado momento. O Ethereum despencou abaixo de US$ 3.000 para cerca de US$ 2.400. Mais de US$ 1,75 bilhão em posições alavancadas foram eliminadas, com US$ 777 milhões liquidados em uma única hora.

Bem-vindo à lição clássica das criptomoedas sobre como a alavancagem amplifica as perdas em mercados voláteis. Não foi só uma queda de preço, foi uma cascata de vendas forçadas que transformou uma correção em um colapso total.

O básico: cronograma da queda

Bitcoin (BTC/USD) 1-hour - Chart Faster with TradingView

Bitcoin (BTC/USD) 1 hora – Gráfico mais rápido com TradingView

Na semana passada, o bitcoin teve uma das quedas mais acentuadas desde a liquidação de outubro de 2025. Veja como isso aconteceu:

Quarta-feira, 29 de janeiro: o bitcoin estava sendo negociado por cerca de US$ 94.000 quando começou a cair. A queda acelerou quando ele rompeu abaixo de US$ 85.000, que é um nível de suporte importante que se mantinha desde meados de novembro de 2025.

Quinta-feira, 30 de janeiro: as vendas se intensificaram. O bitcoin caiu para US$ 81.000, depois atingiu brevemente US$ 78.479 antes de se recuperar ligeiramente. Em um período de apenas quatro horas, mais de US$ 1,5 bilhão em posições compradas alavancadas foram liquidadas.

Sexta-feira-sábado, 31 de janeiro-1º de fevereiro: Em um pregão fraco no fim de semana, o Bitcoin caiu para US$ 75.644, seu preço mais baixo desde as tarifas de Trump em abril de 2025. Na segunda-feira, ele se estabilizou em torno de US$ 77.000-US$ 82.000.

Os danos ao mercado

A carnificina não se limitou ao Bitcoin:

  • Ethereum: caiu 12%, para cerca de US$ 2.395, ficando abaixo de US$ 3.000 pela primeira vez em meses
  • Solana: caiu 11-14%, para cerca de US$ 103
  • XRP: caiu 10-11%, para US$ 1,56
  • Capitalização de mercado total: perdeu mais de US$ 110 bilhões em 24 horas, caindo para US$ 2,73 trilhões

De acordo com dados da CoinGlass, aproximadamente US$ 1,68-1,75 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas em 24 horas:

  • Bitcoin: US$ 768-780 milhões liquidados
  • Ethereum: US$ 414-560 milhões liquidados
  • Posições longas: representaram 93% das liquidações (cerca de US$ 1,57 bilhão)
  • Traders afetados: mais de 270.000 contas liquidadas

A maior liquidação individual foi uma posição de US$ 13,38 milhões em Ethereum na Hyperliquid.

Por que isso importa: a tempestade perfeita

Esse evento não foi aleatório. Vários fatores se juntaram para criar uma cascata de vendas:

1. A alavancagem saiu do controle

Muitos traders tinham pedido dinheiro emprestado para ampliar suas apostas em Bitcoin. Quando os preços começaram a cair, suas posições atingiram os “níveis de liquidação”, ou seja, o ponto em que as bolsas vendem automaticamente tudo para cobrir os fundos emprestados. Essa venda forçada empurrou os preços para baixo, provocando mais liquidações em um ciclo vicioso.

2. A barragem de US$ 85.000 se rompeu

O Bitcoin havia se recuperado de US$ 85.000 várias vezes desde novembro. Quando finalmente caiu abaixo desse nível, confirmou aos traders técnicos que a estrutura do mercado havia mudado. Os traders técnicos correram para vender e os algoritmos entraram em ação para fechar posições.

Por que uma liquidez mais profunda é sua melhor defesa em uma cascata Contexto: Quando o suporte de US$ 85.000 foi quebrado, as “saídas ficaram lotadas rapidamente”. Em eventos de alta volatilidade, a execução é o que mais importa. A Coinbase oferece a liquidez profunda necessária para spreads mais apertados e execução confiável quando cada segundo conta. Junte-se a mais de 100 milhões de usuários na bolsa de criptomoedas pública mais confiável dos EUA. Saiba mais na Coinbase!
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3. O retorno da incerteza macroeconômica

Vários ventos contrários macroeconômicos sopraram ao mesmo tempo:

  • Fed mantém postura hawkish: Jerome Powell sinalizou que provavelmente haverá apenas mais um corte nas taxas em 2026, mantendo os custos dos empréstimos altos
  • Ameaças tarifárias: Trump ameaçou aplicar tarifas de 10% aos aliados europeus por causa das negociações sobre a Groenlândia
  • Paralisação do governo: uma paralisação parcial do governo dos EUA aumentou a incerteza política
  • Tensões com o Irã: os riscos geopolíticos das explosões no Oriente Médio assustaram os ativos de risco

4. O Bitcoin agiu como um ativo de “risco”

Isso é crucial para os iniciantes entenderem: o Bitcoin costuma agir como uma ação de alta tecnologia de alto risco, não como ouro digital. Quando a incerteza aumenta, os investidores vendem primeiro os ativos de risco. Em janeiro, o Bitcoin caiu, enquanto o ouro subiu 6%, atingindo níveis recordes acima de US$ 5.400. A correlação entre o Bitcoin e o S&P 500 atingiu 0,88 no início de 2025, o que sugere que eles se movem juntos.

5. Saídas do ETF de Bitcoin à vista

Os investidores institucionais retiraram US$ 681 milhões dos ETFs spot de Bitcoin na semana anterior à queda. Isso removeu um suporte crucial para as compras, justamente quando a pressão de venda se intensificava.

Principais lições para os traders

1. A alavancagem pode ser fatal

A liquidação de US$ 1,75 bilhão mostrou como o dinheiro emprestado transforma quedas em desastres. Se você estiver negociando com alavancagem de 10x, uma queda de 10% no preço vai acabar com você. Muitos traders usaram alavancagem de 20x, 50x ou até 100x.

Por que isso importa: você pode estar certo sobre a direção, mas ainda assim ser liquidado se usar alavancagem demais. O mercado não se move em linha reta.

Aplicação: se você precisar usar alavancagem, mantenha-a baixa (2x-3x no máximo) e use stop-losses que levem em conta a volatilidade normal do Bitcoin. Melhor ainda, negocie com o dinheiro que você realmente tem.

2. Os níveis de suporte não são garantidos

O nível de US$ 85.000 se manteve várias vezes desde novembro, então os traders acharam que era um “suporte forte”. Quando ele quebrou, o pânico se instalou.

Por que isso importa: só porque algo funcionou antes, não significa que funcionará para sempre. Os mercados evoluem e os antigos níveis de suporte se tornam novas resistências.

Aplicação: não aposte tudo em um único nível técnico. Tenha um plano para o que acontecerá se o suporte for quebrado.

3. A baixa liquidez amplifica os movimentos

As piores quedas aconteceram durante o horário de negociação asiático e nos fins de semana, quando menos traders estavam ativos. Com menos liquidez, os preços oscilam mais violentamente com a mesma pressão de venda.

Por que isso importa: as quedas de criptomoedas nos fins de semana são comuns porque há menos dinheiro disponível para comprar na baixa.

Aplicação: seja extremamente cauteloso ao manter posições alavancadas nos fins de semana. Considere realizar lucros ou reduzir o tamanho antes de períodos de baixa liquidez.

4. O Bitcoin geralmente é um ativo de risco, não um porto seguro

Apesar da narrativa do “ouro digital”, o Bitcoin foi vendido enquanto o ouro real atingiu máximas históricas. Quando a incerteza macroeconômica aumenta (Fed hawkish, guerras tarifárias, tensões geopolíticas), o Bitcoin é afetado junto com as ações de tecnologia.

Por que isso importa: se você está comprando Bitcoin para se proteger contra a incerteza, entenda que muitas vezes isso não funciona assim, pelo menos não ainda.

Aplicação: não trate o Bitcoin como sua única proteção. Considere como ele se correlaciona com seus outros ativos, especialmente ações de tecnologia.

5. Cascatas se alimentam de si mesmas

Quando o Bitcoin ultrapassou os US$ 85.000, as negociações algorítmicas e as liquidações forçadas criaram um ciclo vicioso. Os preços mais baixos provocaram mais vendas, o que empurrou os preços ainda mais para baixo.

Por que isso importa: no mercado de criptomoedas, os movimentos podem ser muito mais extremos do que os fundamentos sugerem, devido à alavancagem e à baixa liquidez.

Aplicação: Quando você perceber o início de uma cascata (liquidações massivas, suporte quebrado), às vezes a melhor negociação é não negociar. Deixe a poeira baixar.

Conclusão

A queda de US$ 10.000 do Bitcoin em 24 horas não foi porque os fundamentos mudaram da noite pro dia. Foi porque a estrutura do mercado desmoronou. A alavancagem excessiva encontrou suporte técnico quebrado, liquidez baixa e ventos contrários macroeconômicos. O resultado? Uma cascata de liquidações que transformou uma correção em uma derrota.

O que observar daqui para frente:

  • Suporte principal: o Bitcoin está atualmente oscilando entre US$ 77.000 e US$ 82.000, quase testando o forte nível de suporte de US$ 81.000, que se alinha com o custo médio para muitos detentores. Se isso quebrar, o próximo suporte importante fica em torno de US$ 74.000 a US$ 75.000 (mínimas de abril de 2025).
  • Resistência principal: O nível de US$ 90.000 é agora uma resistência formidável. O Bitcoin precisa recuperar e se manter acima de US$ 90.000 para sinalizar que o pior já passou. Além disso, US$ 94.000-US$ 100.000 representam uma recuperação otimista.
  • Próximos catalisadores: as reuniões do Fed em março e maio, os desenvolvimentos tarifários e se os influxos do ETF spot de Bitcoin serão retomados determinarão o próximo grande movimento.

Nos mercados financeiros, a alavancagem é uma faca de dois gumes que corta duas vezes mais fundo na queda. A mesma alavancagem de 10x que pode dobrar seu dinheiro em uma alta de 10% vai acabar com você em uma queda de 10%. Quando todo mundo está alavancado comprado e um suporte importante quebra, as saídas ficam lotadas rapidinho.

Mais de 270.000 traders aprenderam essa lição da maneira mais difícil. O mercado não se importa com sua convicção ou seu preço de entrada. Ele só se importa com seu nível de liquidação. Portanto, negocie apenas com dinheiro que você pode perder, use alavancagem mínima (ou nenhuma) e sempre tenha um plano para quando as coisas derem errado.

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