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O petróleo teve um dia incrível na quinta-feira, registrando seu maior salto em um único dia em mais de quatro meses. O petróleo WTI subiu 5,6%, atingindo US$ 62 por barril, enquanto o Brent subiu para US$ 66.
E não, não é porque a segunda temporada de Nobody Wants This acabou de sair e todo mundo decidiu ficar em casa assistindo Netflix em vez de sair por aí.
Esta semana, os traders foram pegos de surpresa depois que o presidente dos EUA, Trump, impôs sanções às duas maiores empresas petrolíferas da Rússia.
Espere, o quê?
Em 22 de outubro de 2025, o governo Trump sancionou a Rosneft e a Lukoil, que juntas produzem cerca de 3,1 milhões de barris por dia.
Isso representa quase 50% das exportações de petróleo bruto da Rússia e cerca de 5% da produção global de petróleo!
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou:
“Dada a recusa do presidente Putin em acabar com essa guerra sem sentido, o Tesouro está sancionando as duas maiores empresas petrolíferas da Rússia que financiam a máquina de guerra do Kremlin.”
A medida veio apenas um dia depois que Trump cancelou uma cúpula planejada com Putin em Budapeste, dizendo:“Sempre que converso com Vladimir, temos boas conversas, mas elas não levam a nada.”
“Sancionar” as duas empresas significa:
- Os EUA congelarão todos os ativos da Rosneft e da Lukoil nos Estados Unidos
- Os EUA vão proibir as empresas americanas de fazer negócios com elas
- Os EUA estão ameaçando com “sanções secundárias” aos bancos estrangeiros que negociarem com essas empresas
- Os EUA adicionaram mais de 30 subsidiárias ( empresas menores pertencentes ou controladas pela Rosneft e pela Lukoil) à lista de sanções.
E como se não bastasse, a UE anunciou seu 19º pacote de sanções no mesmo dia, incluindo a proibição das importações de GNL russo a partir de 2027.
O que torna a decisão mais chocante é que, com o WTI atingindo mínimos de vários anos a US$ 57 na semana passada, os traders presumiram que Trump evitaria sanções energéticas antes das eleições intermediárias de 2026.
Eles estavam errados.
Por que isso importa: o choque de oferta que ninguém previu
Essas sanções ameaçam diretamente uma grande parte do abastecimento global de petróleo. A Índia importou cerca de 1,6 milhão de barris por dia da Rússia em 2025, enquanto a China importou cerca de 2 milhões de barris por dia.
Aqui está a diferença: as sanções anteriores incluíam um teto de preço de US$ 60 por barril, destinado a limitar a receita russa sem interromper o abastecimento. A Rússia ainda podia vender; apenas aceitava preços mais baixos.
Essas novas sanções são muito mais agressivas. Elas basicamente dizem às refinarias na Índia e na China: “Continuem comprando da Rosneft e da Lukoil e vocês correm o risco de serem excluídos do sistema financeiro ocidental”.
Para a maioria das empresas, isso é um fator decisivo.
Reações do mercado:
O óleo para aquecimento liderou a alta com um salto de 6,8%, enquanto as grandes petrolíferas americanas, como ExxonMobil, ConocoPhillips e Diamondback, também se recuperaram.
Os futuros do diesel e da gasolina subiram, já que os traders precificaram uma oferta global mais restrita.
Se a Índia e a China reduzirem as importações russas, isso poderá diminuir a disponibilidade de barris ou empurrá-los para rotas mais arriscadas, aumentando a demanda por petróleo de outras regiões.
O que vai acontecer a seguir?
As sanções só entram em vigor totalmente em 21 de novembro, mas o impacto no mercado já está acontecendo.
Aumento dos preços da gasolina
Os motoristas provavelmente verão aumentos nos preços nas bombas nos próximos dias. A média nos EUA caiu para menos de US$ 3 por galão, mas pode mudar rapidamente e influenciar negativamente o comportamento do consumidor.
Compradores já estão reagindo
As empresas petrolíferas estatais chinesas (PetroChina, Sinopec, CNOOC) já suspenderam as compras de curto prazo da Rosneft e da Lukoil. As refinarias indianas estão buscando alternativas.
Próximo passo da OPEP
A OPEP+ se reúne em 2 de novembro. Eles têm adicionado 137.000 barris por dia mensalmente e têm capacidade excedente.
A Arábia Saudita vai intervir para compensar as interrupções russas? E a OPEP+?
Soluções alternativas da Rússia
O próprio Putin minimizou as sanções, chamando-as de “ato hostil”, mas alegando que a Rússia“desenvolveu uma forte imunidade às restrições ocidentais”.
A Rússia tem uma “frota paralela” de petroleiros antigos para burlar as sanções. Analistas estimam que pelo menos 1 milhão de barris por dia podem continuar fluindo por meio de entidades offshore e compradores dispostos a assumir o risco de conformidade.
Principais conclusões de curto prazo para os traders
1. Os prêmios de risco geopolítico aparecem instantaneamente
Um dia, o petróleo foi negociado a cerca de US$ 57, com os traders precificando um excesso de oferta. No dia seguinte, ele subiu 6%.
Ao negociar energia, posicione-se sabendo que anúncios de políticas podem criar lacunas contra as quais os stop-losses não protegem.
2. O primeiro movimento não é toda a história
O salto de 6% de hoje é só o começo. Com as sanções entrando em vigor em 21 de novembro e uma reunião da OPEP+ em 2 de novembro, a volatilidade está prestes a aumentar.
Enquanto a Índia e a China buscam alternativas, os traders devem se preparar para mais manchetes e mais configurações potenciais de negociação intradiária e swing no petróleo.
3. Interrupções no fornecimento têm efeitos em cadeia
O óleo para aquecimento subiu ainda mais do que o petróleo bruto. As ações do petróleo se valorizaram. Quando grandes interrupções acontecem, veja quais ativos se beneficiam e quais são prejudicados. A jogada direta nem sempre é a melhor jogada.
4. A aplicação da lei é tudo
As sanções só funcionam se forem aplicadas. A Rússia já as evitou antes usando empresas de fachada e petroleiros duvidosos. O mercado vai observar se a Índia e a China realmente param de comprar ou encontram soluções alternativas. Essa é a diferença entre uma recuperação sustentada e um rápido enfraquecimento.
Próximas datas que podem afetar os preços do petróleo
As próximas semanas vão mostrar se isso é só um choque de curto prazo ou o começo de uma interrupção duradoura.
- 2 de novembro: reunião da OPEP+
- 21 de novembro: sanções entram em vigor
- Preços nas bombas nos EUA: se a gasolina subir para US$ 3,50 ou mais, a pressão política vai aumentar
- Dados de importação: a questão principal é se a China e a Índia estão realmente reduzindo as compras da Rússia
A alta de quinta-feira foi impulsionada principalmente pela incerteza. Os traders estão precificando o risco de que 3,1 milhões de barris por dia possam se tornar mais difíceis de comprar, mesmo que o impacto real no fornecimento demore semanas para aparecer.
Mas a Rússia provavelmente tentará contornar as sanções, a China e a Índia buscarão soluções alternativas e a OPEP+ poderá intervir para estabilizar o mercado.
Se os preços subirem muito antes das eleições, Trump também pode amenizar as sanções para acalmar os ânimos.
A volatilidade traz oportunidades e perigos. Se você negocia energia, certifique-se de que suas posições possam lidar com mercados que se movem 5% com uma única manchete.
Isenção de responsabilidade: este artigo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui aconselhamento financeiro. Negociar e investir envolvem riscos, incluindo a perda potencial do capital. Sempre faça sua própria pesquisa e considere consultar um consultor financeiro qualificado antes de tomar decisões de investimento. O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros.